04 mar 2016

Filme: Na Natureza Selvagem

into the wild / na natureza selvagemNa Natureza Selvagem
Into the Wild
Dirigido por: Sean Penn
Ano: 2007

Início da década de 90. Christopher McCandless (Emile Hirsch) é um jovem recém-formado, que decide viajar sem rumo pelos Estados Unidos em busca da liberdade. Durante sua jornada pela Dakota do Sul, Arizona e Califórnia ele conhece pessoas que mudam sua vida, assim como sua presença também modifica as delas. Até que, após 2 anos na estrada, Christopher decide fazer a maior das viagens e partir rumo ao Alasca.

Meu irmão em indicou esse filme e como temos ideias bem parecidas, ele sabe do que eu gosto, com certeza iria gostar e não demorei muito pra assisti-lo. O cinema atual não aborda muitos temas marcantes pra mim, parece tudo mais do mesmo, estórias feitas pras pessoas relaxarem e continuarem na matrix. Sempre procuro filmes e livros que me façam abrir a mente e não me enfiar mais ainda na irrealidade dessa vida na selva de pedra. Into The Wild é um desses filmes que te faz repensar toda a sua existência.

“Sem jamais ter de voltar a ser envenenado pela civilização, foge e caminha sozinho pela terra para se perder na floresta.”

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“Eu não sei muito sobre o mar, mas eu sei que o caminho é por aqui. E também sei o quanto é importante na vida… não necessariamente ser forte, mas se sentir forte, se avaliar uma vez na vida, se encontrar pelo menos uma vez na mais antiga condição humana, encarando a cegueira, ficando surdo… com nada pra te ajudar além de suas mãos e sua própria cabeça.”

O filme é baseado na história real de Christopher McCandless que tem dificuldade em se encaixar na sociedade, consumismo, e todo esse blá blá blá que nos é enfiado goela abaixo desde que nascemos. Temos que estudar, fazer faculdade, trabalhar, ganhar dinheiro, comprar casa, comprar carro, ter filhos, juntar dinheiro, dinheiro, dinheiro, gastar, gastar, gastar. Ele de fato faz quase tudo o que a sociedade espera que um cidadão normal faça, e então ao terminar a faculdade decide fazer o que seu coração manda, seguir sem rumo e viver uma jornada na natureza.

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Influenciado por grandes escritores como Tolstoi e Thoreau, durante o filme somos bombardeados por trechos desses gênios sobre a sociedade e estilo de vida contemporâneo. Cris arranja um apelido: Alex Supertramp (Alex Super Andarilho) e segue mochilando até seu objetivo final, o Alasca. Chegando lá encontra uma combi velha e vive em meio à natureza selvagem por algumas estações, até que não consegue mais caçar, tenta ir embora sem sucesso, findando a sua vida ali. Seu corpo foi encontrado cerca de 2 semanas após a sua morte e até hoje as causa ainda são um mistério. Alguns acreditam que ele confundiu 2 plantas parecidas se alimentando da venenosa, eu acredito que ele se alimentou da planta correta de acordo com seus livros, porém essa planta se consumida durante muito tempo e por pessoas desnutridas (visto que ele não estava comendo direito por semanas) definha o corpo e a mente.

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Claro que corri pra pesquisar sobre o Chris quando terminei o filme, achei uma pessoa incrível e com uma mente que não se encaixou no mundo atual. Alguns o chamam de louco, mas o que seria ser louco? Alguém que foge dos padrões? Ou seriam loucos aqueles que nunca pensam fora dos padrões, que sempre seguem o que manda na TV, os governantes, etc? Todos temos o que aprender com os “loucos”.

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Achei o final romantizado e teimo em acreditar que o Chris mudou tão drasticamente seu pensamento sobre a sociedade. Acredito que tenha morrido feliz, realizado, mas decepcionado por ter sido nocauteado por quem ele mais confiava, a natureza selvagem. Li em algumas críticas na internet que ele era um doido prepotente e arrogante que não se preocupou com os sentimentos dos pais, etc… Eu não acho, ele era inteligente demais e tinha uma mente diferente do nosso tempo. Despejamos nossas frustrações nas pessoas mais próximas e esperamos sempre algo delas, quando na verdade elas não nos devem nada. Assim o Cris não devia nada a ninguém e viveu a sua vida plena, seguindo seus desejos e alcançando seus objetivos.

“Você está errado se acha que a alegria emana somente das relações humanas. Deus a distribuiu em toda nossa volta. Está em tudo e em qualquer coisa que possamos experimentar. Só temos de ter coragem de dar as costas para nosso estilo de vida habitual e nos comprometer com um modo de vida não convencional.”

Abaixo uma foto real do Christopher na combi no Alasca 🙂

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“Tive uma vida feliz, e agradeço ao Senhor. Adeus e que Deus vos abençoe a todos.”

Juliana Urquisa Postado por Tags:
2 Comentários

2 Comentários em "Filme: Na Natureza Selvagem"

  1. Rafael Urquisa disse:

    Assiste ao filme “Livre”. É parecido com esse. A diferença é só o objetivo da “aventura”. Ele fez por um propósito e ela (do filme “Livre”) fez por outro. Mas é parecido. Este me faz pensar no “O fabuloso destino de Amelie Poulain”, quando diz que “são tempos difíceis para os sonhadores”. As dificuldades encontradas por Christopher, não dificuldades de dinheiro nem coisas do tipo, mas dificuldades de se encontrar nesse mundo, são basicamente pelo fato de ele ter sido um sonhador.

    Engraçado essa reflexão que você faz sobre os loucos. Rubem Alves, quando, às vezes, chamado de louco, dizia que não merecia tanto; a loucura, talvez, fosse um privilégio. Acho isso massa. Acho ele massa, na verdade. Vê aqui o que ela fala sobre a saúde mental: http://www.rubemalves.com.br/site/10mais_10.php

    Deixa eu recomendar outra coisa! 😀 Ontem iniciei a leitura do “O poder do hábito”, de Charles Duhigg.

    http://statics.livrariacultura.net.br/products/capas_lg/365/30351365.jpg

    “Durante os últimos dois anos, uma jovem transformou quase todos os aspectos de sua vida. Parou de fumar, correu uma maratona e foi promovida. Em um laboratório, neurologistas descobriram que os padrões dentro do cérebro dela – ou seja, seus hábitos – foram modificados de maneira fundamental para que todas essas mudanças. Segundo o autor, a chave para se exercitar regularmente, perder peso, educar os filhos, tornar-se mais produtivo, criar empresas revolucionárias e alcançar o sucesso é entender como os hábitos funcionam. Ele procura mostrar que, ao dominar esta ciência, todos podem transformar suas empresas e suas vidas.”

    “Um artigo publicado por um pesquisador da Duke University em 2006 descobriu que mais de 40% das ações que as pessoas realizavam todos os dias não eram decisões de fato, mas sim hábitos.”

    Tanto é que, no começo do livro, contanto a história de Lisa (uma das pesquisadas), em um momento de estresse ela pega uma caneta, põe na boca e começa a tentar acender até sentir o cheiro de plástico queimado. Ou seja, a prática de fumar não era uma decisão de fato, mas sim um hábito, ratificando a ideia da oração anterior. Claro que tem a questão da dependência física da substância, mas estamos falando do gatilho que nos move à ação. É bem interessante. Sugiro!

    Beijo, Ju!

  2. Cris disse:

    Esse filme tem um livro, não tem? Acho que já vi por aí que o livro é melhor rs Eu não vi o filme ainda, mas tenho muita vontade de assistir 🙂 Também gosto de filmes que despertam a vontade de mudanças em nossas vidas e tals 🙂
    Beijos! =**