Se você fosse taxista, o que pensaria da Uber?

Se você fosse taxista, o que pensaria da Uber?
Imagem: Blog Conecte

PARANDO PRA PENSAR sobre a intolerância tecnológica

No dia 22 de março no Jornal do Commercio saiu uma matéria sobre a discussão de taxista e motorista da Uber, apenas para reafirmar a intolerância a qual vivemos nos tempos hodiernos. Se o cara é índio e dorme na rua, a gente toca fogo. Se o cara é negro, a gente espanca. Se eu desejei e não me quis, a gente estupra e mata. Se bateu atrás do nosso carro, a gente desce com a arma já carregada e atira antes de ouvir as desculpas. Se olhou pro(a) nosso(a) companheiro(a), a gente espanca também. Se a velhinha tá na frente atrapalhando a passagem, a gente empurra e passa pra não se atrasar. Não tem problema nenhum. É normal… Opa! É normal… Olha aí! Incomode-se com a normalidade!

A intolerância hoje em dia não está presente apenas nas relações interpessoais, mas também na aceitação de novas formas de pensar e de fazer algo. É o que acontece com a Uber, uma inovadora forma de pensar e fazer o transporte de pessoas. A Uber iniciou suas atividades aqui em Recife no início desse mês e já se consegue baixar o aplicativo pelo AppStore e GooglePlay. As corridas ficam em torno de 30% mais baratas que as de taxi, por isso a revolta dos taxistas.




É de se entender o desespero de um(a) taxista, pai/mãe de família, com suas necessidades humanas básicas a enfrentar. No entanto, nada justifica o comportamento violento/intolerante diante de uma inovação. É preciso ter em mente que isso é inevitável. Muito em breve os carros não terão motoristas, a gente vai colocar o endereço no celular e vai chegar um carro conduzido por GPS acoplado ao volante e vai nos levar para onde quisermos, e com mais segurança, uma vez que ele respeitará as leis do trânsito roboticamente, do contrário, pelo fato de estar ligado 24h online com o DENATRAN, receberá a multa também online. Esse é o futuro.

E aí, nesse tempo, os motoristas da Uber quebrarão esses carros? E vai ser sempre assim? Então a gente não pode inovar? Não há permissão ético-moral para inovação? Os taxistas solicitam que o Estado tome uma providência. Então o Estado passará a suprimir o avanço tecnológico? Mas que porra é essa?!

Precisamos pensar que as coisas vão surgindo para o bem geral da população. É unir o útil ao agradável: o motorista da Uber lucra satisfatoriamente e nós, consumidores, pagamos por um serviço melhor e ao mesmo tempo mais barato. Isso tá errado? O que os taxistas precisam fazer é, de fato, cobrar alguma regulamentação por parte do Estado, para que realmente não vire zona. Isso é importante até para a segurança desses consumidores. No entanto, pedir para vetar uma coisa boa para todos aí é muita “semnoçãonidade”. E, além de cobrar, procurar meios de se diferenciar. A pergunta deveria ser “como poderemos ser diferentes e/ou melhores?” e não “como poderemos acabar com eles?”. A primeira pergunta é mais saudável e gera SEMPRE MAIS EVOLUÇÃO. Essa é a ideia.

A tecnologia vem para ajudar. Imaginem uma empresa que descobre como transformar a água do esgoto como adequada para o consumo humano. Sendo assim, todas as empresas de águas minerais vão processá-la porque isso é desleal com as empresas de venda e produção de água mineral? Peraí, né. Desse jeito é caminhar pra trás. Se for assim, daqui a pouco a gente tá acendendo o fogão batendo uma pedra na outra.

Alguém já testou os serviços da Uber? To curioso. Mas que tenhamos cuidado ao utilizar!
E, ao mesmo tempo, tenhamos a paciência para entender a desaprovação de um taxista.

4 Comentários

  1. Nós (Karla praticamente toda semana 1 vez) já usamos varias vezes o Uber e recomendo muito!
    E entendo os taxistas estarem assustados e com medo do novo serviço (principalmente pelo preço baixo por não serem taxados), mas a solução tem que ser de encontrar uma forma de taxar e tornar lega e não partir pra briga.

    E acho um retrocesso querer impedir o avanço da tecnologia assim como também querer limitar a nossa internet. tempos difíceis estamos vivendo.

    Só avisando que também tem Uber pra Windows Phone.

    • Massa, Marcel! ?
      Não sabia. Foi bom comentar sobre o WinPhone!
      Essa história do limite à internet é uma piada.
      Na moral! Não existe. Tempos difíceis mesmo!

      Abraço!

  2. Não concordo com a primeira parte do texto, pois generaliza e existe muitas pessoas tolerantes, educadas e gentis, inclusive no trânsito.
    Em relação ao fato em si, é lamentável e triste o comportamento dos taxistas, o q mostra a falta de preparação, educação de grande parte desses profissionais, e, essa intolerância não é apenas com o novo serviço, ocorre entre eles, como já vimos cenas lamentáveis de espancamento de um taxista comum quando pegou um passageiro no aeroporto. Cabe a nós cidadãos mostrar ao Estado através da Justiça que queremos o serviço e cabe ao Estado educar e profissionalizar esses taxistas para uma concorrência de qualidade, sei que parece utópico, mais é o caminho.

    • Joselito, a forma como inicio o texto é para impactar. Fiz até questão de utilizar o termo A GENTE para que eu não ME EXCLUÍSSE dessa realidade. Isso não quer dizer que, por exemplo, EU, VOCÊ e MARCEL (A GENTE / NÓS) espancamos, matamos, ateamos fogo, atropelamos, atiramos. De fato, existem pessoas tolerantes, educadas e gentis. A referência foi ao fato de haver MUITO FREQUENTEMENTE comportamentos intolerantes, enquanto que comportamentos de cortesia, educação, respeito, carinho, gentileza, são cada vez mais rarefeitos. Do contrario, se fossemos generalizar, considerando uma INTOLERÂNCIA ABSOLUTA E MUNDIAL DA HUMANIDADE… BUMMM!!! Acabou-se o mundo. ?

      Obrigado pelo comentário/participação, e concordo com você.

      Abraço!

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