07 fev 2018

La Casa de Papel – 1ª Temporada

La Casa de Papel – 1ª Temporada
9 episódios
Ano: 2017
Dirigido por: Alejandro Bazzano Alex Rodrigo Javier Quintas Jesús Colmenar Miguel Ángel Vivas

Um grupo de ladrões muito peculiar assalta uma Fábrica de Moeda e Timbre para realizar o assalto mais perfeito na história da Espanha e levar para casa 2.400 milhões de euros.
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La Casa de Papel é uma minissérie espanhola com 15 episódios que foi editada e transformada em 2 temporadas aqui no Brasil. A primeira temporada com 9 episódios foi lançada em 25 de dezembro de 2017 na netflix e desde que o ano começou eu só ouvia falar nela no trabalho. A curiosidade foi crescendo e resolvi assistir, apesar de não gostar desse estilo.

A série conta a história de um assalto a casa da moeda, o local onde se fabrica dinheiro. O interessante é que a história é contada de forma não linear, como se fossem vários capítulos de um livro, onde intercalasse entre preparação pré assalto e assalto acontecendo em tempo real. Defino a categoria dessa série como policial. A trama é bem entrelaçada e possui muitos altos e baixos.

O plano perfeito é passado pelo Professor, o cabeça da operação, um homem sério, centrado e que possui cada passo planejado antecipadamente. A equipe que entradá na casa da moeda recebe um treinamento durante 5 meses, com direito a sala de aula, aulas de tiro, primeiros socorros e diria até previsão do futuro. Tudo é milimetricamente definido com a ajuda de uma maquete do local que será invadido (daí o nome da série – a casa de papel).

Vamos conhecendo os personagens pouco a pouco no decorrer dos episódios e nos identificando ou não com cada um deles. Tokyo é quem conta a história pra gente e terminamos tendo seu ponto de vista. Uma garota que começou no crime jovem, jamais se imagina presa e fará de tudo pra manter sua liberdade. Sem conhecer uns aos outros (apenas por um codinome – nomes de cidades) esses estranhos precisam se tornar uma equipe e esse período trancafiados numa casa abandonada faz com o entrosamento fique melhor até o dia da invasão, porém ninguém sabe os crimes dos companheiros, seus traumas e vidas pessoais. Todos são criminosos e procurados pela polícia e alguns até mesmo pela Interpol.

Assim como eu gosto de olhar as pessoas na rua e imaginar como é a vida de cada uma, pra onde estão indo e de onde vem, gostei de analisar cada personagem sem conhecer seus passados. Aos poucos a série vai soltando alguns fios do passado de cada um. Gostei tanto da forma como a humanidade vai surgindo e escorrendo pelos minutos. A gente vê que todo mundo é passível a erros e conseguimos encontrar coração até naquele mais forte e durão da equipe. Nos identificamos e é aí que está o Q desse seriado, pelo menos pra mim. Eu gosto da Nairóbi e de Denver, eles tem personalidade forte e o jeito deles me chama atenção, eles me transmitem liberdade.

Até o plano perfeito possui furos, tudo pode acontecer, qualquer ser humano pode errar, ninguém pode prever perfeitamente o futuro e quando pequenos detalhes fogem do controle a série se torna incrível e real. Vemos seres humanos, aquilo podia estar acontecendo nesse momento. Eu achei uma série verdadeira, sem clichês, sem efeitos especiais, apenas pessoas e um plano.

A segunda temporada (que na verdade é a continuação da minissérie sem recorte de temporada) já tem data de estréia aqui no Brasil, será no dia 6 de abril, e contará com os 6 últimos episódios da trama. Acontece que esses episódios já estão disponíveis na internet! E aí, vocês vão esperar lançar ou já baixaram e assistiram? Não me contém o que acontece porque ainda não vi kkkk

Juliana Urquisa Postado por Tags:
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24 mar 2016

Dica de filme: Tomboy

5aeb41b3ae06aac0181a72241882e8fa_jpg_290x478_upscale_q90Tomboy
Ano: 2011
Dirigido por: Céline Sciamma

No filme da diretora Céline Sciamma (Lírios D’Água), Laure é uma menina de dez anos, que muda de casa constantemente, em decorrência do trabalho do pai. Ao ir para uma nova residência ainda nas férias, ela faz amizade com uma grande turma de garotos da vizinhança, mas se apresenta como Mikael. Isso faz com que ela se aproxime de Lisa, a única menina do grupo. Não demora até que Lisa caia em amores por Mikael, mas as férias estão para acabar e Laure não sabe como fará para manter seu segredo.

Amo filmes franceses, eles tem uma aura doce e suave que me encantam. Esse filme poderia ser pesado e tenso, não sei se a culpa é dos franceses, mas ele é tão lindo e profundo que a gente nem sente o tempo passar e quando terminou fiquei meio desnorteada: Não é possível, mas e amanhã? Espero escrever algo à altura da beleza desse filme…

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Imagem: https://maniacosporfilme.files.wordpress.com

Laure é uma menina de 10 anos que se muda frequentemente e somos apresentados à última mudança de casa da família que é formada por pais amorosos, Laure e sua irmã mais nova. Laure prefere ficar em casa, mas com o tempo e a insistência da mãe decide sair pra conhecer as crianças da vizinhança e brincar. Desde o começo do filme vemos um casal de filhos, o mais velho e a mais nova e a relação delas com os pais e entre si. A dúvida é desfeita de forma nua e crua com Laure saindo do banho e conseguimos ver claramente que ela é uma menina. A questão é que se vê como menino, se veste como menino e tudo bem pra sua família. Como a vizinhança é nova e ninguém a conhece, ela analisa várias questões sociais e físicas entre ela e os outros garotos e se apresenta como Mikael, tendo essa identidade por alguns dias até que sua mãe descobre.

Os diálogos, as brincadeiras e o dia a dia das crianças é muito bem retratado, me deu uma saudade da minha época de criança e aqueles papos cheios de besteira, sem nenhuma preocupação As cenas são lindas, fotografia doce e nostálgica e há poesia em cada momento, cada olhar, cada palavra… Tem cenas que parecem que apenas “estão ali” e você fica olhando para aquele papel de parede parado no tempo, viajando naquele momento.

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Imagem: http://www.guiadasemana.com.br/

Achei o final de uma poesia incrível… Desculpem, mas agora vem spoiler e não leiam se ainda não assistiram, mas peço que assistam e voltem aqui pra discutir comigo como interpretaram esse momento, ok?

[spoiler]
Quando a mãe descobre e a obriga a vestir um vestido e ir na casa dos colegas foi cruel, me deu raiva e fiquei com o coração na mão. Quando ela encurrala a filha perguntando: O que você quer que eu faça? Tem outra solução? Eu gritava no sofá: SIM!! Eu tenho!! E logo depois eu lembrava, não, Laure não tem uma solução porque ela é apenas uma criança… E foi isso que Laure fez, ficou calada…

A parte mais profunda foi ver Mikael correndo na floresta com um vestido por cima das roupas de menino: o conflito menino/menina ou a capa nasci menina, a sociedade quer que eu me vista assim, mas por dentro de verdade eu sou um menino.
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Imagem: https://tocadocinefilo.files.wordpress.com

É importante frisar que o filme não trata sobre sexualidade e nem homossexualidade, mas sim sobre transgênero. Uma história linda, profunda, suave e doce que todo mundo deveria assistir e se apaixonar. Tem na Netflix.

Juliana Urquisa Postado por Tags:
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04 mar 2016

Filme: Na Natureza Selvagem

into the wild / na natureza selvagemNa Natureza Selvagem
Into the Wild
Dirigido por: Sean Penn
Ano: 2007

Início da década de 90. Christopher McCandless (Emile Hirsch) é um jovem recém-formado, que decide viajar sem rumo pelos Estados Unidos em busca da liberdade. Durante sua jornada pela Dakota do Sul, Arizona e Califórnia ele conhece pessoas que mudam sua vida, assim como sua presença também modifica as delas. Até que, após 2 anos na estrada, Christopher decide fazer a maior das viagens e partir rumo ao Alasca.

Meu irmão em indicou esse filme e como temos ideias bem parecidas, ele sabe do que eu gosto, com certeza iria gostar e não demorei muito pra assisti-lo. O cinema atual não aborda muitos temas marcantes pra mim, parece tudo mais do mesmo, estórias feitas pras pessoas relaxarem e continuarem na matrix. Sempre procuro filmes e livros que me façam abrir a mente e não me enfiar mais ainda na irrealidade dessa vida na selva de pedra. Into The Wild é um desses filmes que te faz repensar toda a sua existência.

“Sem jamais ter de voltar a ser envenenado pela civilização, foge e caminha sozinho pela terra para se perder na floresta.”

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“Eu não sei muito sobre o mar, mas eu sei que o caminho é por aqui. E também sei o quanto é importante na vida… não necessariamente ser forte, mas se sentir forte, se avaliar uma vez na vida, se encontrar pelo menos uma vez na mais antiga condição humana, encarando a cegueira, ficando surdo… com nada pra te ajudar além de suas mãos e sua própria cabeça.”

O filme é baseado na história real de Christopher McCandless que tem dificuldade em se encaixar na sociedade, consumismo, e todo esse blá blá blá que nos é enfiado goela abaixo desde que nascemos. Temos que estudar, fazer faculdade, trabalhar, ganhar dinheiro, comprar casa, comprar carro, ter filhos, juntar dinheiro, dinheiro, dinheiro, gastar, gastar, gastar. Ele de fato faz quase tudo o que a sociedade espera que um cidadão normal faça, e então ao terminar a faculdade decide fazer o que seu coração manda, seguir sem rumo e viver uma jornada na natureza.

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Influenciado por grandes escritores como Tolstoi e Thoreau, durante o filme somos bombardeados por trechos desses gênios sobre a sociedade e estilo de vida contemporâneo. Cris arranja um apelido: Alex Supertramp (Alex Super Andarilho) e segue mochilando até seu objetivo final, o Alasca. Chegando lá encontra uma combi velha e vive em meio à natureza selvagem por algumas estações, até que não consegue mais caçar, tenta ir embora sem sucesso, findando a sua vida ali. Seu corpo foi encontrado cerca de 2 semanas após a sua morte e até hoje as causa ainda são um mistério. Alguns acreditam que ele confundiu 2 plantas parecidas se alimentando da venenosa, eu acredito que ele se alimentou da planta correta de acordo com seus livros, porém essa planta se consumida durante muito tempo e por pessoas desnutridas (visto que ele não estava comendo direito por semanas) definha o corpo e a mente.

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Claro que corri pra pesquisar sobre o Chris quando terminei o filme, achei uma pessoa incrível e com uma mente que não se encaixou no mundo atual. Alguns o chamam de louco, mas o que seria ser louco? Alguém que foge dos padrões? Ou seriam loucos aqueles que nunca pensam fora dos padrões, que sempre seguem o que manda na TV, os governantes, etc? Todos temos o que aprender com os “loucos”.

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Achei o final romantizado e teimo em acreditar que o Chris mudou tão drasticamente seu pensamento sobre a sociedade. Acredito que tenha morrido feliz, realizado, mas decepcionado por ter sido nocauteado por quem ele mais confiava, a natureza selvagem. Li em algumas críticas na internet que ele era um doido prepotente e arrogante que não se preocupou com os sentimentos dos pais, etc… Eu não acho, ele era inteligente demais e tinha uma mente diferente do nosso tempo. Despejamos nossas frustrações nas pessoas mais próximas e esperamos sempre algo delas, quando na verdade elas não nos devem nada. Assim o Cris não devia nada a ninguém e viveu a sua vida plena, seguindo seus desejos e alcançando seus objetivos.

“Você está errado se acha que a alegria emana somente das relações humanas. Deus a distribuiu em toda nossa volta. Está em tudo e em qualquer coisa que possamos experimentar. Só temos de ter coragem de dar as costas para nosso estilo de vida habitual e nos comprometer com um modo de vida não convencional.”

Abaixo uma foto real do Christopher na combi no Alasca 🙂

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“Tive uma vida feliz, e agradeço ao Senhor. Adeus e que Deus vos abençoe a todos.”

Juliana Urquisa Postado por Tags:
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