31 ago 2017

Sobre o “modo-piloto-automático” do desrespeito

PARANDO PRA PENSAR sobre o “modo-piloto-automático” do desrespeito

Era uma vez um homem que estava dirigindo e parou em um semáforo. Nesse instante, uma mulher muito bonita aguardava para cruzar a faixa de pedestres. Com a confiança diretamente proporcional ao valor do bem móvel, o homem baixa seus óculos escuros para olhar melhor “o produto”, dá duas buzinadas e, para completar o flerte, profere um elogio de forma bastante carinhosa: “- Delícia!”. Na cabeça do rapaz, é claro que toda mulher gosta de ouvir e vivenciar essas coisas. Sendo assim, por que não fazê-lo? Receber buzinadas nas ruas, ser chamada de “delícia” ou “gostosa” é algo que valoriza as qualidades daquele “alvo”, pensa o rapaz. Rapidamente, a garota olha para o homem e sorri, aceitando o flerte. Ela vai em direção ao carro e entra. Os dois se cumprimentam, em meio aos 10 segundos restantes de sinal vermelho, e seguem suas vidas. E, claro, foram felizes para sempre.

Era uma vez um motociclista que buzinava para todas as mulheres as quais ele encontrava no caminho. Talvez, pensasse ele, como uma forma de homenagem à beleza feminina. Mas não bastava apenas buzinar, era também importante conferir se a parte de trás era tão agradável quanto a parte da frente. Para isso, ao estilo ” O Exorcista”, o motociclista voltava sua atenção para o exame físico posterior daquele “objeto” mirado anteriormente. Na cabeça desse rapaz, ele também pensa que toda mulher gosta de ouvir e vivenciar essas coisas. Sendo assim, por que não fazê-lo? Receber buzinadas nas ruas, ser “secada” visualmente é algo que valoriza as qualidades daquele “alvo”, pensa o rapaz. Confiante de que essa é uma estratégia autêntica, inteligente, saudável e respeitosa, ele sempre continuou fazendo. Assim, certo dia, encontrou o amor da sua vida, que subiu na garupa de sua motocicleta e seguiram a vida, sendo felizes para sempre. Mas, nesse dia, esse homem tinha apenas um capacete consigo. Como transportar mais uma pessoa, então? Esse, de fato, não era um problema. Afinal de contas, por que se preocupar em respeitar as leis do trânsito se não há respeito nem “às leis do próximo”?

Essas duas histórias podem estar contidas na semana de todos nós. No entanto, retirando a parte do final, em que tudo dá certo, em que as pessoas ficam juntas e são felizes para sempre. Isso não é a realidade! Isso não acontece! Nenhuma mulher gosta disso. E não preciso ser mulher para perceber/sentir isso. Assim como não é preciso ser negro, homossexual ou estar na condição de migrante para perceber o racismo, o preconceito, a xenofobia. É incrível como eu me deparo com isso todos os dias no trânsito. E, quando isso acontece, além de sentir vergonha (muita “vergonha alheia”) e nojo, eu fico me perguntando: “Qual o sentido de o cara fazer isso? Ele acredita mesmo que essa é uma forma bacana de atrair alguém? O que ele espera? De verdade, o que ele espera? Que a mulher ache lindo e fofo um cara escroto e desconhecido buzinando para sua bunda? Que ela olhe pro cara e solte beijinhos? É isso? Se for, tem algo errado!”.

Mas eu acho que esse é o pensamento. Só pode. E, se assim for, há muita idiotice ou muita loucura, ou os dois juntos! Porque pelo mínimo de racionalidade que você tenha, não é difícil concluir que isso é um grande desrespeito. Acho que consegui ser bastante nojento nessas duas histórias. E essa era a intenção. Mas é, infelizmente, um nojo palpável, concreto, real, diário. E, tenho certeza absoluta que 100% das mulheres que lerem isso já passaram por essa situação ou algo muito próximo disso, seja no trânsito ou fora dele.

Mas, calma, eu não estou falando que ninguém pode mais se olhar. Claro que não. São duas coisas totalmente diferentes. É natural que um homem bonito chame a atenção de uma mulher e que uma mulher bonita chame a atenção de um homem. Aliás, é natural que uma pessoa possa chamar a atenção (generalizando toda classificação de gênero), seja pelo sorriso, pelo cabelo, pela simpatia e, claro, também pelo corpo e pela roupa que esteja usando. Mas, calma, eu falei em “corpo e roupa que esteja usando”, mas apenas queria destacar que isso não é convite para estupro ou comentários indelicados. Retomando, é claro que uma mulher bonita me chama a atenção. Isso é inegável. Mas isso não quer dizer que eu precise tocar no corpo dela, que eu precise chamar de “gostosa”, que eu precise ser infiel, que eu precise ficar “secando”, buzinando, e, finalmente, DESRESPEITANDO E INVADINDO SEU ESPAÇO. São coisas totalmente diferentes. E, pra isso, não é preciso que se seja padre ou homossexual, como costumam argumentar. Assim como uma mulher também pode olhar e admirar um homem que passa em seu caminho, sem necessariamente invadir o seu espaço. Isso é natural e direito de qualquer um. No entanto, invadir o espaço do outro é ultrapassar o seu direito e entrar no direito do outro. ESSE É O REAL PROBLEMA.

“- Porra, todas as mulheres que passam aqui na frente esse cara tira onda! Esse bicho é macho mermo!”. É assustador como as pessoas reproduzem esse comportamento e esse desrespeito, no piloto automático mesmo, de forma inconsequente, sem ter consciência de que isso ultrapassa os limites das relações humanas, julgando isso NORMAL e COMUM. Esse é o perigo. Será que a masculinidade ou a virilidade é medida através de quantos assédios você pratica por dia? É óbvio que a resposta é não, mas a ideia desse texto é trazer um desabafo e uma oportunidade para sempre pararmos pra pensar sobre isso.

Forte abraço!

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29 maio 2016

Qual o sentido da homofobia?

Qual o sentido da homofobia?
Imagem: Armandinho

PARANDO PRA PENSAR sobre a necessidade pública da virilidade

Há algum tempo confesso que brincadeiras e piadas com homossexuais me faziam rir, assim como com qualquer outro contexto socialmente oprimido, ainda que eu não fosse o gerador delas, por haver um mínimo de respeito da minha parte pelo outro ser humano (independente de escolha sexual, cor, etc). No entanto, há pouco conclui que achar graça de tudo isso que acontece de forma insana na nossa frente, é também uma reprodução desse preconceito, ainda que inconscientemente, ainda que pensemos que rir não é nada demais. Errado! Rir é reproduzir a opressão. Rir é omitir socorro!

Hoje aconteceu uma coisa muito estranha, que foi tão surreal que eu ainda não estou acreditando se realmente foi verdade, se era apenas uma brincadeira e a “vítima” estava levando “numa boa” e eu quem estava demasiadamente preocupado com a situação; mas o fato é que foi uma coisa muito comum de se acontecer e ninguém reflete sobre isso. E o que mais me deixou indignado é que, apesar de pensar diferente de todo mundo ali naquela hora, eu fui omisso, eu reproduzi a opressão. Não de forma ativa, pois não agredi ninguém, mas também não defendi. E a partir do momento em que eu respondo com omissão, eu também sou conivente, eu também fico do lado que agride.




Largando às 19:15, com pressa por querer pegar um filme no cinema às 19:40, decidi trocar de roupa, após o trabalho, no vestiário conjunto, onde todos os funcionários o utilizam, algo que normalmente evito pelo fato de que a falta de educação elimina uns 50% do meu “life” do dia. Um exemplo disso é ter de compartilhar telefones celulares tocando músicas que eu não pedi para ouvir, discussões agressivas sobre futebol que eu não estou nem aí para quem ganhou ou perdeu, ou ter de colocar a roupa em cima dos sapatos para não colocar no chão, pois toda a prateleira está ocupada. Mas, hoje, eu preferi me trocar no vestiário conjunto.

Passados uns 2 minutos após eu ter entrado e começado a minha troca, percebo que um homem começa a se trocar próximo a um outro armário e um outro cara começa a fazer brincadeiras e piadas com um rapaz que estava há 1 metro de mim, do tipo: “cuidado, não se troca sem cueca aqui não, porque fulano tá aqui”, e um monte de gente começava a rir, fazendo graça da possível sexualidade do rapaz. Se o cara era homossexual ou não, não sei, e tampouco me interessa, tampouco faz diferença para mim. Além disso, enquanto o rapaz, totalmente constrangido, com um monte de gente fazendo piadas e brincadeiras de sua sexualidade, e ele sozinho em meio a uns 8 homens escrotos, um deles dava tapas em sua bunda, enquanto ele se arrumava rapidamente para sair daquele contexto hostil. Ele, em minoria, acuado, sem poder para reagir, apenas pedia para o cara parar. Mas não adiantava.

Eu fiquei muito sério, meio desnorteado, sem entender o que de fato acontecia, exatamente por não conhecer as pessoas envolvidas nesse caso. Eu tentava entender se realmente havia alguma intimidade ali entre “amigos”, se aquilo era algum tipo de palhaçada entre amigos, ou se realmente era um contexto homofóbico. E, nessa tentativa de entender, eu ficava com minha atenção e olhar totalmente direcionado para a “vítima” enquanto eu me trocava, tentando captar alguma resposta não-verbal que me fizesse entender o que estava acontecendo, e também torcendo para captar um: “Poha! Vocês me respeitem. Vocês podem pensar o que vocês quiserem, mas me respeitem. Não interessa! Isso é o mínimo! E a próxima vez que você tocar em mim (se referindo ao tapa na bunda), você vai para a delegacia”. Eu estava torcendo para: ou captar que, de fato, aquilo era só uma brincadeira infantil e a própria vítima estava também levando na brincadeira (o que também não deixa de ser preocupante), ou captar que aquilo realmente era uma coisa séria.

E a conclusão não demorou. Entre tapas, brincadeiras e assédio moral, percebia que a “vítima” ficava cada vez mais inquieta, séria, constrangida e organizava seus pertences em uma mochila com uma rapidez que, se eu o tivesse imitado não teria perdido o horário do filme no cinema. Nessa velocidade em organizar suas coisas para ir embora de toda aquela zona de conflito, sem perder uma oportunidade, enquanto eu estava saindo do vestiário, ainda ouvi falarem: “Cuidado pra não rasgar a mochila com essa agonia toda! (E todos riam, como uma forma de valorização da ideia da soberania do HOMEM MACHO sobre o HOMEM MULHERZINHA)“.

Não é preciso ser homossexual para se colocar no lugar de constrangimento que aquele cara passou, e também no MEDO que ele sentiu. Sim, medo! Claro! Vocês têm dúvida de que aquele cara sentiu medo? Como um ser humano deve se sentir diante de outros que não respeitam o seu semelhante? O mesmo deve sentir uma mulher, quando anda de saia à noite. O problema não está na escolha sexual, o problema não está na saia curta. O problema está na desumanidade cada vez mais presente na humanidade. E assim como não preciso ser homossexual para me colocar no lugar dele, também não preciso ser uma criatura escrota simplesmente pelo fato de ser heterossexual. E estou usando o termo “criatura escrota” como um nível acima do patamar “machista”, uma vez que, inevitavelmente, ainda vivemos em uma sociedade machista, e ainda que se tenha um pensamento diferente, é difícil afirmar ser 100% não-machista. Isso seria hipocrisia, uma vez que ainda existem comportamentos e hábitos que ainda são “medulares” (fazendo analogia às respostas mediadas por reflexos oriundos da medula espinhal, ou seja, que não passam pelo encéfalo). É cultural (infelizmente) um comportamento ou outro machista, mas que bom que isso está em evolução. Entenda e perceba que não estou afirmando que: “ahhh, é cultural, sempre foi e vai ser assim, não posso fazer nada. Fodam-se, vão ter que conviver com isso”. Nada disso. O que trago é apenas uma constatação histórico-cultural. O que podemos mudar é o presente e o futuro; mas a constatação sociocultural, não.

Diante dessa insanidade, muitos pensamentos no caminho de volta para casa:
1) “Por que eu não fiz nada?”;
2) “Eu poderia fazer alguma coisa?”;
3) “Se eu o defendesse, as pessoas iam pensar que eu também sou homossexual”;
4) “Pensar isso também não seria um preconceito da minha parte?”;
5) “Eu estou chegando agora nesse local de trabalho, talvez não entenda as relações que as pessoas têm entre si. Será que seria muita exposição eu chegar agora, do nada, e já ir me intrometendo numa discussão dessas pessoas? O que fazer?”;
6) “Será que eu não intervi porque também seria minoria e, no fim das contas, ia haver um deslocamento do assédio para o meu lado?”;
7) “A minha omissão permitiu tudo aquilo?”;
8) “A minha intervenção poderia interromper tudo aquilo?”;
9) “Será que eu fui covarde diante da minha omissão?”;
10) “Será que seria precipitação se falasse algo?”.

Mas, então, eu me pergunto: qual o sentido da homofobia? O que leva um homem à colossal necessidade de tornar pública a sua virilidade? Qual a necessidade de mostrar que EU SOU MACHO PRA CARALHO E ELE É UMA BICHINHA MANHOSA? Qual a necessidade disso? O que se ganha com isso? Ganha-se mais respeito pelas outras “criaturas escrotas”? Faz sentido ser respeitado à medida que desrespeita outrem? Qual o objetivo de diminuir um outro ser humano simplesmente porque ele não compartilha dos seus gostos? Isso o torna menor? Isso o torna incapaz? Isso o torna objeto de graça? Ainda que fosse menor, incapaz e objeto de graça, o que se ganharia com isso? O que eu ganharia diminuindo uma outra pessoa?

No que a minha vida muda se uma outra pessoa gosta de uma criatura do mesmo sexo? Nada, não muda nada. Muito pelo contrário. Se isso a faz feliz, então, ótimo. Seja feliz! O mundo precisa de mais pessoas felizes, pessoas que são aquilo que realmente desejam, que trabalham naquilo que realmente sonham, que estão ao lado daqueles que realmente amam. Isso não é problema. Muito pelo contrário, isso é a solução. E a solução está na liberdade e na igualdade por dignidade.

Então, para quem pensa que outra pessoa é menor e digna de PENA ou DESPREZO por se comportar sexualmente diferente, é bom parar pra pensar.

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22 maio 2016

Você já concluiu seus estudos? (Versão II)

Você já concluiu seus estudos? (Versão II)
Imagem: vinanetflixbrasil.blogspot.com.br

PARANDO PRA PENSAR sobre a conclusão dos estudos (II)
* Leia aqui a parte I.

Em uma formatura de uma amiga, ainda que com alcoolemia elevada, uma coisa me chama a atenção e até arrepia: em meio à descida dos formandos surge uma cabeça branca. É um senhor com a idade por volta de uns 60 anos, talvez mais, talvez menos. De marcha um pouco menos veloz, cabelos totalmente brancos, abdome globoso pela sua fisiologia hormonal já “cansada de guerra” e marcas de experiência no rosto, um típico “senhor de idade”, considerando o ponto de vista CRONOLÓGICO, anatômico, fisiológico. Ele desce usando um chapéu, com a música Paraíba de Luiz Gonzaga. Se é paraibano, não sei, se é oriundo do sertão, também não sei. Mas, com certeza, pela idade, pela música, pelo que quis representar naquele momento, houve muita luta e muita superação, assim como comumente é na vida de um sertanejo, na vida de um nordestino. E isso me fez pensar muito no texto que havia escrito Você já concluiu seus estudos?. E me fez pensar mais ainda e especificamente na frase do filme “O aluno”, que até cito no texto: “você não termina de aprender enquanto não tiver terra em seus ouvidos”.




E, mais do que admiração, e de ter PARADO PRA PENSAR novamente sobre a conclusão dos nossos estudos, eu parei também pra pensar sobre o quanto eu poderia também devolver para aquele senhor o sentimento que ele me proporcionou. Mas como? Simplesmente valorizando aquilo. Eu poderia ter ido até ele e compartilhado o que eu estou escrevendo aqui agora (depois da formatura), exatamente isso. Tenho certeza que isso faria bem pra ele, valorizaria seu esforço, e poderia motivá-lo mais ainda para sempre continuar nesse sentido. Lembro sempre, há muitos anos, de uma vez que, em uma livraria, quando abri a biografia de Einstein. A primeira frase que li: “A vida é como andar de bicicleta: para ter equilíbrio você tem que se manter em movimento”. É isso: se você para de aprender, para de sonhar, para de seguir seu caminho, você cai, você morre enquanto existência (permanecendo apenas como substrato).

E também surge a curiosidade: qual a real idade daquele senhor, o que havia feito todo esse tempo antes, seria a segunda ou terceira graduação, teria agora realizado o sonho de se formar em algo, teria iniciado uma graduação após a aposentadoria? Não sei, assim como também não sei se é paraibano, nem se é do sertão. Não sei de nada, simplesmente porque perdi a OPORTUNIDADE. Já discutimos em texto anterior sobre oportunidade. E essa passou. Perdi. E o tempo corre pra frente. Mas serve de experiência para uma ocasião semelhante no futuro.

Então, quando acharmos que estamos velhos demais para estudar ou que já concluímos os nossos estudos, é bom não só PARAR PRA PENSAR, como também usar a história desse cara como exemplo.

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08 maio 2016

O quanto a propaganda nos influencia?

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Documentário PROPAGANDA:

Compartilho um documentário interessante, o qual mostra os métodos que a PROPAGANDA utiliza para MANIPULAR, NEUTRALIZAR e/ou ANESTESIAR a sociedade, demonstrando claramente como ela é usada pelas empresas, governos, religiões, grupos terroristas, políticos, arte, etc. Muito bom! Ele mostra, inclusive, a farsa da democracia, disfarçada de simples eleições, e como a propaganda é capaz de despertar a motivação na sociedade de uma forma serena, para que os manipulados sigam à “forca” determinados, felizes e sorridentes (e iludidos). O vídeo se dirige principalmente à influência norte-americana sobre o resto do mundo, contada a partir de uma perspectiva norte-coreana. Vale a pena.




Você é TOTALMENTE responsável pelo que pensa e faz? Será que a propaganda (a mídia) não exerce nenhuma influência sobre isso?

Diante dessas duas questões lembrei da citação de Sócrates: “Quem não pensa é pensado por outros”. Às vezes (muitas vezes) (quase sempre) (toda hora) a mídia empurra hábitos e valores guela-a-dentro, pensando por nós, influenciando comportamento, pensamento, valores e o que quer que seja. E aí, independente de vermos essa dualidade norte-americana e norte-coreana um pouco de longe, isso nos permite refletir sobre as influências que NÓS TAMBÉM recebemos e somos manipulados por ESSAS PROPAGANDAS (não só empresariais, mas sociopolíticas de uma forma geral). Ficam essas duas perguntas, então, para se pensar depois do vídeo. 🙂

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01 maio 2016

Você é melhor do que quem?

Você é melhor do que quem?

Imagem: Gnvision

PARANDO PRA PENSAR sobre o risco da “super-humanidade”

Final do ano passado conheci um bombeiro militar do Estado da Bahia em um congresso que ocorreu em Salvador sobre Suporte Básico de Vida em Cardiologia. E, infelizmente, no início desse ano surgiu a notícia em rede nacional de um bombeiro militar que morreu após ser levado pela correnteza durante um resgate que tentava realizar. Era muito intrigante pensar que poucos meses antes você estava treinando Reanimação Cardiopulmonar com uma pessoa que poucos meses depois entraria para essa estatística.

E isso me voltou à cabeça um dia desses, quando passei em frente a um quartel do Corpo de Bombeiros Militar. E, mais do que refletir sobre as causas do acidente, possíveis descuidos ou não, cabe-nos refletir sobre o risco da “super-humanidade”. O fato aqui não é se o bombeiro ultrapassou os limites do que lhe era possível ou não, até porque, quando se ama o que faz, como ele demonstrava fazê-lo, os limites para salvar outra vida são mais flexíveis que o habitual. É de se entender. Mas nos cabe refletir sobre o quanto não somos nada. O quanto nos julgamos melhores e diferentes de todas as outras espécies simplesmente pelo fato de sermos sapiens. Grande bosta! O fato de ser sapiens nos permite apenas uma vida diferente, buscando melhores condições de uma forma mais lógica e planejável. No entanto, não nos torna MELHORES. E é sobre esse risco que me refiro.

Às vezes, o pensamento de que somos capazes de CONTROLAR E MANIPULAR todas as outras coisas, espécies, fenômenos da natureza, traz prepotência, autoconfiança e um sentimento de super-herói da vida. E isso pode ser perigoso, dado o risco que isso envolve. A meteorologia nunca vai ser MELHOR do que a natureza. As boias nunca vão ser MELHORES do que a correnteza. O avião NUNCA vai ser melhor do que a força da gravidade. O remédio NUNCA VAI SER MELHOR do que a morte inevitável. Existem variáveis que são sobre-humanas; e o ser humano, com sua super-humanidade, apenas se ilude de que ele é melhor e pode controlar tudo. Mas não pode. E, caso se tenha (ou ache que tenha) um mínimo de controle, isso não nos torna melhor e ABSOLUTAMENTE SUPERIORES. Não! Você não é melhor do que nada; é apenas diferente.

Bombeiros com muitos anos de profissão e experiência podem morrer no mar. Aviões com muitas horas de voo podem cair. Por que? Por que não somos superiores à natureza. O que te torna melhor que ela? O que te torna melhor que outra pessoa? O que te torna melhor que outro animal? O raciocínio e capacidade de memória? E o teu olfato, compara com o do cão. Então eles se acham melhores que nós por isso. Veja como as coisas são relativas. É muita presunção superestimar a nossa existência.

Então, até antes desse dia eu pensava o quão insano e cômico seria um nadador profissional que entrasse em um mar desconhecido com uma boia abaixo do braço (ou qualquer outro instrumento de flutuação). Seria engraçado. No entanto, conclui que isso seria uma das maiores atitudes de razão e humildade, ao reconhecer que, INEVITAVELMENTE, somos limitados. Aquela cena, a priori cômica, era, na verdade, uma lição de moral para aqueles que acreditam que pelo fato de serem “super-homens”, a natureza não engole. Cuidado!

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24 abr 2016

Se você fosse taxista, o que pensaria da Uber?

Se você fosse taxista, o que pensaria da Uber?
Imagem: Blog Conecte

PARANDO PRA PENSAR sobre a intolerância tecnológica

No dia 22 de março no Jornal do Commercio saiu uma matéria sobre a discussão de taxista e motorista da Uber, apenas para reafirmar a intolerância a qual vivemos nos tempos hodiernos. Se o cara é índio e dorme na rua, a gente toca fogo. Se o cara é negro, a gente espanca. Se eu desejei e não me quis, a gente estupra e mata. Se bateu atrás do nosso carro, a gente desce com a arma já carregada e atira antes de ouvir as desculpas. Se olhou pro(a) nosso(a) companheiro(a), a gente espanca também. Se a velhinha tá na frente atrapalhando a passagem, a gente empurra e passa pra não se atrasar. Não tem problema nenhum. É normal… Opa! É normal… Olha aí! Incomode-se com a normalidade!

A intolerância hoje em dia não está presente apenas nas relações interpessoais, mas também na aceitação de novas formas de pensar e de fazer algo. É o que acontece com a Uber, uma inovadora forma de pensar e fazer o transporte de pessoas. A Uber iniciou suas atividades aqui em Recife no início desse mês e já se consegue baixar o aplicativo pelo AppStore e GooglePlay. As corridas ficam em torno de 30% mais baratas que as de taxi, por isso a revolta dos taxistas.




É de se entender o desespero de um(a) taxista, pai/mãe de família, com suas necessidades humanas básicas a enfrentar. No entanto, nada justifica o comportamento violento/intolerante diante de uma inovação. É preciso ter em mente que isso é inevitável. Muito em breve os carros não terão motoristas, a gente vai colocar o endereço no celular e vai chegar um carro conduzido por GPS acoplado ao volante e vai nos levar para onde quisermos, e com mais segurança, uma vez que ele respeitará as leis do trânsito roboticamente, do contrário, pelo fato de estar ligado 24h online com o DENATRAN, receberá a multa também online. Esse é o futuro.

E aí, nesse tempo, os motoristas da Uber quebrarão esses carros? E vai ser sempre assim? Então a gente não pode inovar? Não há permissão ético-moral para inovação? Os taxistas solicitam que o Estado tome uma providência. Então o Estado passará a suprimir o avanço tecnológico? Mas que porra é essa?!

Precisamos pensar que as coisas vão surgindo para o bem geral da população. É unir o útil ao agradável: o motorista da Uber lucra satisfatoriamente e nós, consumidores, pagamos por um serviço melhor e ao mesmo tempo mais barato. Isso tá errado? O que os taxistas precisam fazer é, de fato, cobrar alguma regulamentação por parte do Estado, para que realmente não vire zona. Isso é importante até para a segurança desses consumidores. No entanto, pedir para vetar uma coisa boa para todos aí é muita “semnoçãonidade”. E, além de cobrar, procurar meios de se diferenciar. A pergunta deveria ser “como poderemos ser diferentes e/ou melhores?” e não “como poderemos acabar com eles?”. A primeira pergunta é mais saudável e gera SEMPRE MAIS EVOLUÇÃO. Essa é a ideia.

A tecnologia vem para ajudar. Imaginem uma empresa que descobre como transformar a água do esgoto como adequada para o consumo humano. Sendo assim, todas as empresas de águas minerais vão processá-la porque isso é desleal com as empresas de venda e produção de água mineral? Peraí, né. Desse jeito é caminhar pra trás. Se for assim, daqui a pouco a gente tá acendendo o fogão batendo uma pedra na outra.

Alguém já testou os serviços da Uber? To curioso. Mas que tenhamos cuidado ao utilizar!
E, ao mesmo tempo, tenhamos a paciência para entender a desaprovação de um taxista.

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17 abr 2016

Você já concluiu seus estudos?

você já concluiu seus estudos
Imagem: vinanetflixbrasil.blogspot.com.br

PARANDO PRA PENSAR sobre a conclusão dos estudos

E aí, você já terminou seus estudos? Terminou o ensino médio? Terminou o curso técnico? Terminou a faculdade? E aquela pós-graduação? Massa! Depois disso, então, é só trabalhar; só colocar em prática o que aprendeu, né? Errado!

Assisti há pouco o filme “o aluno”, disponível no Netflix, que conta a história (real) de um queniano que começa a estudar aos 84 anos. Bem no começo do filme algum personagem fala a frase: “a educação é a chave e nós somos o cadeado”. Ou seja, sem a chave o cadeado vai permanecer fechado, a porta vai permanecer fechada. Não há desenvolvimento. Não há liberdade!

E, já no final do filme, a professora fala: “você não termina de aprender enquanto não tiver terra em seus ouvidos”. Isso quer dizer que o aprendizado não acaba. Não se tem idade para terminar de estudar. A conclusão dos nossos estudos é a maior bobagem que se colocou na cabeça das pessoas. Toda hora é hora!

Paulinho Moska diz em uma de suas músicas*: “todo dia é dia de aprender um pouco do muito do que a vida traz”. É exatamente essa a ideia. Diante de tanta coisa, todo dia é dia de aprender alguma coisa. Aí muitos pensam: “Poxa, mas já estou com 70 anos. Se eu começar uma faculdade agora só vou terminar com 74 anos”. Cara, veja só, independente de qualquer coisa, o tempo só corre pra frente. Sendo assim, em 4 anos você estaria com 74 com ou sem a faculdade. O tempo vai passar do mesmo jeito.

Outro ponto crucial do filme é o de que muitas vezes subestimamos as pessoas pelo que elas usam (ou deixam de usar), pelo que elas parecem ser (ou deixam de ser), pela idade delas (“- Velhos? Ah, velhos não servem para nada!”), por não estarem dentro dos “padrões normais” da sociedade, fechando-nos a não dar oportunidade para absorver qualquer coisa que venha daquela outra pessoa que julgamos “inferior”, quando, na verdade, podemos aprender muito mais com essas do que com aqueles que só vestem terno e gravata com pós-doutorado em Harvard mas só olham pro seu umbigo.

Então, se você acha que está velho demais para estudar ou que já concluiu os seus estudos, é bom parar pra pensar…

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=VtUBarEVCf0&w=420&h=315]
*Música de Paulinho Moska citada no texto:

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10 abr 2016

Por quê? Porque é normal.

Olá!
Bom dia!

Por que as pessoas fazem de um modo e não do outro?
Já pensou que muitas vezes fazemos as coisas simplesmente porque é socialmente normal?
Não é sempre, mas talvez isso possa ser um problema.

por quê? porque é normal

Imagem: abihbrasil.blogspot.com.br

PARANDO PRA PENSAR sobre a deletéria normalidade

Incomode-se com o “é porque é normal”, “é porque aqui é assim”, “é porque é a rotina do serviço”. Isso não é justificativa para nada!

Se você observar na história, ninguém nunca se destacou fazendo o normal, o de sempre, a rotina. Não estou falando que precisamos revolucionar o mundo e mudar tudo. Não é isso. Mas, simplesmente, na possibilidade de uma nova estratégia ou de um novo olhar, jamais aceite o argumento de uma outra pessoa falando para você continuar do jeito que está pelo fato de que “isso já é a rotina do serviço”.

Permita experimentar. Se der merda a gente volta para o que tínhamos antes, para a “segurança” de antes. Para saber se realmente a realidade atual é a melhor, precisamos de uma comparação com outra. Mas para haver outra realidade é preciso inovar a atual. E não se faz isso com a mentalidade fixa de que “assim é normal”, “já é rotina”, “tá bom assim”, “já estamos acostumados”.

Eu ficava muito irritado (mentira, eu ficava puto mesmo) quando estava em estágio nos hospitais e perguntava alguma coisa para a professora: – “Por que eles fazem assim aqui?” / “Por que eles fazem desse modo?” / “Por que isso é assim e não como a gente viu na aula/no livro?”. E obtinha a resposta que eu não desejo a nenhum estudante/aprendiz/formando: – “Porque é rotina”. Puta que pariu. Isso não existe! O mínimo de zelo que um EDUCADOR poderia ter era não tolher o espírito crítico do seu EDUCANDO.

“Porque é rotina” não é resposta, acima de tudo quando se trata de uma formação universitária. Já imaginou você estudando Administração de Medicamentos, por exemplo, e tem lá escrito na melhor literatura do ramo: “volumes maiores que 3 ml devem ser aplicados no glúteo, pois sempre foi assim e nunca houve relatos de problemas”. Caralho! Como assim? Isso é ciência? ​​Ok, pesquisadores afirmarão que o científico parte da hipótese. Concordo. Mas, calma… Se estivéssemos no século II A.C. essa afirmação do livro seria razoável, aplicável. Mas o​ tempo é outro. E, definitivamente, existem​ fundamentos melhores!

E o pior de tudo é um professor reforçar isso: a política do “é porque é rotina”. Aí a pessoa pensa: “Porra, essa galera estudou pra aplicar a rotina? Caramba, mas que bosta de formação é que estamos tendo?!”. O professor tem que ter em mente de que sua função, além de simplesmente passar o conteúdo, é de mediar o conhecimento, de transformar a vida do ser que aprende. E, como disse a Bel Pesce, “o segredo da transformação está em como você faz a pessoa se sentir”. Professores precisam fazer os seus alunos se sentirem FODA, para que a transformação seja nessa direção, de ser FODA. Se você faz um aluno se sentir um idiota, aí vai dar merda.

E você, o que pensa sobre isso?

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03 abr 2016

Seja burro, mas não entregue seu certificado de burrice!

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PARANDO PRA PENSAR sobre a burrice inteligente

Falaremos sobre a burrice inteligente. Claro, por que não? Tenho certeza que vou ser mal compreendido e julgado pelas ideias, mas faz parte. A discordância também nos torna melhor, faz abrir a cabeça e pensar de outro modo, além do qual o nosso software mental está configurado.




Pois bem, certa manhã estava eu em uma entrevista de emprego fazendo a primeira etapa da seleção dos interessados à vaga. Essa primeira etapa consistia em uma prova de conhecimentos específicos para a área de emergência, uma redação e um questionário com umas viagens de Psicologia lá, talvez para entender/avaliar meus comportamentos, perfil, etc. A mulher do RH me entregou a papelada com uma caneta azul, sentei e comecei. Havia uma mulher sentada na minha diagonal à direita que eu nunca vi na vida e um homem duas cadeiras à frente dessa mulher. Enquanto eu, concentrado, fazia a minha prova, ouvia (infelizmente) a mulher se queixando que a prova tava difícil, que não tinha estudado, tentando puxar conversa com o cara da frente e também tentando obter algum lucro desse diálogo, como possíveis respostas para SUA prova. Fechei os ouvidos com os indicadores, apoiando os cotovelos na bancada, para seguir concentrado fazendo a MINHA prova. Pela visão periférica notava a garota inquieta e, por vezes, fazendo alguns movimentos estilo O Exorcista para ver se conseguia entender alguma coisa em azul da minha prova, o que pra mim não fazia diferença. Não sabia o cargo, não sabia nada dela, mas com aquela postura, ainda que copiasse a prova inteira e obtivéssemos nota igual, não era ameaça. E, pra falar a verdade, sempre pensei que a ameaça somos nós mesmos. Se eu sei que estudei, que estou preparado, não importa mais ninguém. Não importa a concorrência. A “luta” sou eu versus eu e o resto versus o resto.

Depois de algum tempo de sofrência, escuto: “tu num sabe essa daqui, não?”. Por mais que eu entendesse o desespero, até porque todos nós já passamos por isso, seja na escola, em um vestibular, em um concurso, etc., não podia fazer nada. Eu simplesmente disse que: “Não, sei não.”, com uma expressão facial e gesto de “sinto muito / boa sorte / não posso ajudar aqui e agora / e preciso fazer a minha também”. Passado mais um tempo, quando umas das mulheres do RH passa próximo da sala, essa candidata se levanta e entrega o seu certificado de burrice ao RH: “Olha, a prova tá difícil. Não estou conseguindo fazer. É que eu não estudei, sabe? A gente pode marcar outro dia?”. Nesse momento eu precisei parar a minha prova e direcionar outros órgãos do sentido para o que estava acontecendo, para saber se não era apenas uma alucinação auditiva. A recrutadora (não sei se podemos chamar assim; to tentando evitar usar o termo “a mulher do RH”) disse que tudo bem, aceitando a devolução das provas de forma simpática e compreensiva.

Destaquemos uma coisa: a ideia dessa reflexão não é dar ênfase de que não se pode desconhecer as coisas, de que não se pode ser ignorante em um determinado assunto, de que não se pode ser burro nunca, de que você tem que sempre saber das coisas. Não é isso! Jamais! Isso seria extrema presunção e arrogância. No entanto, mesmo diante de uma situação em que você seja o mais burro é preciso agir inteligentemente (não estou comparando a ninguém, refiro-me ao mais burro de você, ao mais burro que você pode ser, até porque isso é extremamente relativo; eu sou burro pra caramba em história, por exemplo, mas não sou em biologia).

E não estou falando que ser inteligente é você OMITIR, ESCONDER, MENTIR que não sabe de algo. Isso é arrogância, falta de humildade. Inteligência nesse ponto seria você reconhecer suas limitações e perceber o QUANTO ISSO PODE COMPROMETER o trajeto até o seu objetivo (no caso, alcançar a vaga pretendida) e correr atrás do prejuízo. A mulher poderia ter feito qualquer coisa, como TENTAR responder o que viesse na cabeça, deixar em branco alguma questão, qualquer coisa, menos ter entregue o Certificado de Burrice. Não é possível que ela não soubesse de absolutamente nada. Eu estou brincando com esse termo, mas isso não quer dizer que a mulher seja realmente burra. Entendam-me. Ela poderia estar com alguns problemas pessoais, sei lá. “N” fatores podem ter levado à “burrice”. No entanto, para a empresa, para o RH, ao se comparar com todos os outros candidatos, essa mulher entregou o seu Certificado de Eliminação Automática de Burrice. Esse certificado garante 100% de chance de eliminação em qualquer seleção que se faça na vida (e se existir vida após a morte, também!!!). Garanto! Podem fazer o teste.

Não sou consultor, nem recrutador, mas com um mínimo de raciocínio não é difícil concluir que ninguém quer trabalhar com um profissional que: 1) não está preparado para resolver problemas dentro de sua área/especialidade; 2) desiste de continuar no processo porque se vê incapaz ou, pior do que isso, além de se vê, mostra-se incapaz. Isso quer dizer que é um profissional descartável no mercado? Não, absolutamente não. Pode ser que o investimento nessa pessoa a torne a melhor do Estado. Mas é inegável que é um critério importante de escolha. Pode ser que o investimento seja eficaz, mas pode ser que a pessoa realmente seja uma “porta”. Então, é um critério, queiramos ou não.

Eu tenho certeza que qualquer pessoa pode, a partir desse acontecimento, dar a “volta por cima” e em outra oportunidade fazer uma prova excelente. Mas estou me referindo àquele instante, àquela empresa, àquela prova, àquela recrutadora, àquela ATITUDE. Talvez as coisas corram melhor em uma outra circunstância, mas essa oportunidade já era, o filme já foi queimado, a bala já foi gasta, e a primeira impressão ficou/marcou. Mas isso é muito radicalismo, Rafael. Sim, é. Mas não é a verdade? Antes de ser radicalismo ou não, é a verdade. Infelizmente.

Isso pode acontecer com qualquer um de nós, e tudo que acontece serve para a gente reconhecer as limitações e crescer. Isso faz parte da humildade. No entanto, não se expor dessa forma, nessa determinada circunstância não cabe como arrogância, mas proteção; pois, você pode terminar passando uma ideia de que não necessariamente é a sua essência. E em um momento como esse não seria legal deixar essa “primeira impressão”.

“A gente pode marcar outro dia?”. A recrutadora não respondeu nada; apenas compreendeu o momento. Mas eu imagino (99% de probabilidade) que a resposta na cabeça dela foi “Não, não pode. Sinto muito”. Lembra do outro texto de oportunidades? Uma oportunidade foi gasta, foi perdida. Mas o efeito dessa perda poderia ter sido amenizado. Não é porque você sujou a mão de merda que agora você vai colocar na boca, entende? Sejamos inteligentes até mesmo na burrice!

Rafael Urquisa Postado por Tags:
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27 mar 2016

Você anda criando oportunidades?

Você anda criando oportunidades?

PARANDO PRA PENSAR sobre oportunidades

Certa manhã a campanhia tocou. Fui atender e à frente do portão estava um senhor de boné, bermuda jeans, calçado de galocha (com meias) ao lado de uma carroça feita com uma geladeira velha a qual a porta foi arrancada, com um eixo passando por baixo e um par de rodas de carro com pneus carecas. Ele olhou pra mim e, em seguida, pro jardim em frente de casa, meio que me “obrigando” a concordar com ele que a grama estava gigante, que o jardim estava horroroso, mal cuidado e sugeriu: “- Quer que ajeite? Eu ajeito… Vai ficar, oh, lindo!”. Eu lhe respondi: “- Não, não precisa. Obrigado!”. Ele aceitou a negativa, seguiu e eu fechei o portão.




Comentei sobre o que aconteceu com minha mãe, já pensando que talvez fosse uma boa ideia. E rapidamente concordamos que, de fato, o jardim estava  parecendo a floresta amazônica e que precisava de um cuidado. Volto para frente de casa e avisto o senhor já um pouco distante e vou atrás dele. Pergunto por quanto ele faria o trabalho e ele me responde, entusiasmado com a OPORTUNIDADE. E eu: “- Beleza. Então, vamos lá. Quero ver se vai ficar bonito mesmo, hein?!”, pergunto meio que cobrando carinho pelo trabalho.

E ai, parando pra pensar, surgiu a sacada: a oportunidade é você quem cria, é você quem toca na campanhia e chama a oportunidade. PRA TUDO, não apenas no contexto profissional. Se aquele senhor ou qualquer outra pessoa não tivesse tocado a campanhia e tivesse “vendido o seu peixe”, fazendo acreditar que seria uma boa ideia ter alguém que cuidasse do jardim naquele momento, além de mim e dos meus pais, ou em épocas que não tivéssemos tanto tempo ou disposição para tal, jamais a oportunidade haveria se concretizado.

Pois bem, o rapaz podou tudo, colocou fertilizante, foi extremamente simpático e educado. E, diante disso, pensamos que também seria bom ajeitarmos uma parte das plantas que ficam do lado de dentro de casa. Uma OPORTUNIDADE gerando outra OPORTUNIDADE.

MORAL DA HISTÓRIA: as oportunidades que você cria te dão a possibilidade para que apareçam outras oportunidades, a depender do QUE e COMO você fez com a primeira oportunidade que te foi oferecida.

E como você faz é todo o segredo. Ele poderia ter feito de qualquer jeito. Mas tenho certeza que ele fez o melhor. É o que o Mário Sérgio Cortella diz no seu livro “Qual é a tua obra?” em relação ao “melhor” e ao “possível”. Tipo: você leva seu carro com problema na oficina e o mecânico pode te dar duas respostas: “vou fazer o possível, ok?” ou “vou fazer o meu melhor, ok?”. Qual dos dois você prefere? Se fosse pra fazer o possível, eu mesmo faria. Se deleguei para alguém que se propõe a fazer isso é porque eu espero, no mínimo, que se faça o melhor.

E esse melhor não quer dizer que o cara tem que ser o melhor de todos os tempos ou melhor que qualquer outra pessoa. Refiro-me AO MELHOR DELE, O MELHOR QUE ELE PODE SER dentro de um determinado contexto, com os recursos disponíveis. É isso que to falando: fazer o seu melhor com o que há disponível, dentro das possibilidades do aqui e do agora.

E assim, ao final de tudo, pagamos SATISFEITOS, retribuímos a educação e o respeito, elogiamos o serviço (valorização! reforçar positivamente! isso é importante! isso motiva!), pegamos o contato do cara e já deixamos meio que “virtualmente pactuado” uma próxima oportunidade.

E aí, anda criando oportunidades, anda “tocando nas campanhias”, anda fazendo o seu melhor? Se não, é bom parar pra pensar

Rafael Urquisa Postado por Tags:
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